A Arte De Se Colocar No Lugar Do Outro

Você tem costume de se colocar no lugar do outro?

Para aceitarmos e compreendermos as diferenças, entender o ponto de vista de cada um, temos que nos colocar no lugar do outro. Em vez de julgar, ou ter pena, passe a compreender o outro, só assim poderá ajudá-lo. Esse pensamento é importante para mudarmos a nós mesmos e ao mundo, fazendo com que possamos agir mais e lamentar menos.
Quando nos deparamos com alguém dormindo na rua, com fome e frio, é natural que fiquemos tristes, mas só quando nos imaginamos naquela situação, é que passamos a ter vontade de mudar aquilo, por que com pequenas atitudes somos capazes de mudar a vida do outro, de mudar o mundo. Devemos aceitar todas as diferenças, de sexo, idade, classe social, raça, porque cada um de nós temos uma história, um contexto de vida, uma peculiaridade
Todos nós temos a capacidade de seguir em frente, de lutar contra as adversidades, de aprendermos através da dor, afinal somos todos iguais, o que nos diferencia é o quanto acreditamos em nós, e não é uma característica que nos torna melhor ou pior, afinal, pontos de vista diferentes não significam desalinhamentos, e sim colaboração. Muitas vezes dizemos palavras duras para as pessoas a quem amamos e conhecemos, ou até mesmo as ferimos com atitudes desnecessárias, por isso, mesmo tendo opiniões contrárias, devemos observar e entender os dois lados, e através de uma boa conversa chegarmos a um consenso. Devemos ouvir o outro com calma, responder sem ofensas, não julgar sem mais nem menos, pensar antes de agir, isso também é se colocar no lugar do outro.
Reflita: se fosse eu, como gostaria de ser tratado? Tenho certeza que gostaria de ser tratado com respeito, da melhor maneira possível. Trata –se de compreensão, de imaginar como nos sentiríamos se fossemos expostos a expressões negativas, nunca devemos fazer com o outro aquilo que não queremos que façam com a gente. Lidar com pessoas não é uma tarefa fácil, muitas vezes a convivência torna-se difícil, mas isso não nos dar o direito de dirigirmos palavras ruins a elas. Devemos dizer palavras boas, que possam acrescentar e transformar a vida dos outros, refletindo sempre antes de decidir o que, como, quando e por que agir com quem estiver ao nosso lado.
“Se colocar no lugar do outro sempre será essencial, seja lá qual for a circunstância.” Daniel Melgaço

Emanuela Gomes
Graduanda em Serviço Social

 

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Shibumi

A sociedade do século XX, no afã do seu desenvolvimento, esqueceu-se das coisas simples da vida, do sol quando nasce pela manhã ou se põe no fim da tarde, sempre iluminando, dando-nos esperança; do alô do vizinho, do sorriso simples e sincero dado sem esperar retorno; das refeições em família feitas em harmonia; do lençol estendido ao sol para estar fresquinho antes de dormir, do asseio de nossas casas e de nossas vidas; da caminhada natural, sem os necessários e atualmente badalados apelos à estética e à saúde, não que a caminhada natural não proporcione isto também! Esquecemos de tantas pequenas e importantes coisas que já não sabemos quem somos e/ou o que fazemos.
O conceito de shibumi, perfeitamente nos dado por Trevanian, em seu romance, perpassa por estas pequenas coisas. As pequenas coisas são importantes, já nos lembrava Santa Teresa de Lisieux: toda a sua obra, escrita através de diários e que chegam a cerca de 1.500 páginas, são a constante afirmação de que para sermos grandes, temos que ser pequenos. De um certo modo, o shibumi exprime também esta realidade. Voltarmos a ser crianças, como as crianças evangélicas de Jesus Cristo: “sede como crianças”.
Ser pequeno é, sobretudo, apreciar os caminhos fortuitos das formigas no chão, deliciando-se com o seu vai-e-vém, com o som da chuva caindo no telhado, da folha da minha mangueira se desenvolvendo.
Este blog, portanto, deseja adentrar-se no perfeitamente imperfeito, nas coisas naturais, não artificiais, no conceito do wabi e do sabi.
Os orientais, especialmente os hindus, chineses e japoneses, sem contar ainda com a milenar sabedoria dos povos tibetanos, souberam, ao meu ver, apreciar as coisas naturais muito mais do que a nossa civilização, tão lógica e tão racional. Essa lógica e esse racionalismo terminaram por nos afastar de nós mesmos para encontrarmos a verdade que, por sinal, não está nada fora de nós. Ela se encontra em nós! Somos tudo e nada; somos um e todos.
Os japoneses, muito embora perdidos por outras racionalidades, criaram a sabedoria contida no Zen. Esta tradição, advinda do Chan chinês, permeou por séculos o pensamento nipônico, moldando-o a uma perfeita realização do perfeitamente imperfeito. Esses conceitos, embora tratados como estéticos, são, muito mais do que isso, espirituais e o Zen transporta-o para o nosso ser, na sua afirmação da não-ação. O que é o Zen? Pergunta-se a um mestre. E ele o baterá na cara! Isto é o Zen. A impermanência das coisas, o momento que é agora.
Assim, o conceito criado no bojo do Zen de wabi e sabi serão apreciados, na medida que minhas capacidades intelectuais o permitirem e, em outras medidas, que as minhas viagens o desejarem. Essas viagens são sempre mentais e não têm caminhos/não-caminhos. São apenas viagens.
A vontade de escrever intelectualmente sobre estes assuntos esbarra, no entanto, nos meus afazeres acadêmicos. Trabalhos que me dão a beleza de existir. Assim, a realização desta empreitada será feita sem pressa, nos intervalos da minha vida onde não haverá trabalho e nem o prazer dos meus hobbies. Espero que os meus leitores, caso o hajam, possam compreender-me.

Quando a fé encontra a Gestão de Pessoas nas Empresas

fécristã

É interessante… eu vivo pela gestão de pessoas! por ela me doo para que se estabeleça o melhor lugar para se trabalhar, por isso eu  sou um Peter Druckerniano de carteirinha, se posso dizer ou inventar esta palavra.  “Selecionar, treinar, desenvolver pessoas e jamais perde-las”, era isso que ele costumava dizer. Aprendi muito e ainda continuo aprendendo com este homem, simples e de uma genialidade impressionante para os negócios. Por isto, adoro ensinar cultura e clima organizacionais, porque empresas, de qualquer tamanho, porte, ramo, todas são feitas por pessoas e elas são importantes! Sem elas, nunca haverá clientes.

Num momento de caída nesse jogo, me encontrei com um texto de Chiara Lubich escrito em 30 de abril de 1960 e do qual transcrevo aqui. Sou católico, tenho fé, tenho esperança e tenho confiança em mim. Sou do tipo de que não acredito em homens sem fé. Homens sem fé são apenas cascas, mortas, sem vida, sem conteúdo. Não importam no que creiam, mas que acreditem, que tenham fé. O que erro é meu, minha é minha dor. Aos outros, devo passar somente alegria! Aqui vai o texto e espero que o apreciem e que, sobretudo, meditem sobre ele. Ele é atual e serve para todos os momentos de nossas vidas. O interessante desse texto é que ele é chamada de Palavra de Vida, praticada dentro e fora do Movimento dos Focolares mensalmente, onde um trecho dos Evangelhos são retirados e vividos de forma prática e não teológica, ou teórica, e que em mim, de coração, continua impregnado na minha alma.

“Tende coragem: eu venci o mundo!”

Não é preciso ir muito longe para encontrar remédio e solução para as fumaças que contaminam a atmosfera do mundo. O Evangelho é a saúde eterna e quem, em nome dele e por ele, até morre, desaparecendo, mesmo em nossos dias, talvez ignorado por todos, vive.

Esse, porque amou, e perdoou, e defendeu, e não cedeu, é um vitorioso e, como tal, é acolhido nos pavilhões eternos.
Mas o Evangelho não há de ser apenas a regra da nossa morte; deve ser o pão cotidiano da nossa vida.

Passando pelas ruas de cidades tradicionalmente católicas, muitas vezes vem a tentação de duvidar da fé das pessoas. Afinal, nós sabemos quantos, também na nossa Itália católica, perderam o senso de Deus. E isso se vê, se sente, se sabe; e o cinema e o teatro, a televisão e a moda, a pintura e a música e os jornais o atestam.

Às vezes, certas situações nos deixam estarrecidos e uma sensação de desânimo nos assalta, vendo os inocentes juntamente com os adultos, imersos num mundo tão pouco cristão… É quando a fé — se ainda vive em nosso coração — nos sugere uma palavra de Jesus, daquelas eternas. E, atônitos, ficamos convictos e iluminados. Certos, sobretudo, de que aquela sua palavra tem a atualidade de sempre. E nasce no coração a esperança de que, nutrindo-nos dela, não só o nosso espírito encontrará a paz, mas com ela e por ela poderemos passar da defesa ao ataque contra o mal que nos circunda, pelo bem daqueles que amamos e desejamos ver salvos.

“Tende coragem: eu venci o mundo !” (Jo 16,33).

Quando o tédio, a apatia ou a revolta ameaçam enfraquecer a nossa alma no cumprimento da vontade divina, devemos ir além. Com Jesus é possível que o “homem novo ” viva constantemente em nós, e as nuvens de fumaça do mundo que refreiam a nossa alma se dissiparão.

Quando a antipatia e o ódio nos induzirem a julgar ou detestar um irmão nosso, deixemos Cristo viver em nós e, amando, não julgando, perdoando, venceremos.

Quando nos pesam na alma situações que há anos se arrastam na família, na comunidade de trabalho — pequenas ou grandes desconfianças, ciúmes, invejas, tiranias — devemos desempenhar a função de pacificadores e mediadores entre as partes adversárias e recompor a unidade entre os irmãos em nome de Jesus, que trouxe esta ideia à terra, como a verdade, pedra preciosa do seu Evangelho.

Se nos cerca um mundo, como o político ou social, calejado por paixões, por carreirismo, esvaziado de ideais, de justiça e de esperança, não nos deixemos sufocar. Devemos confiar e não abandonar sobretudo o nosso posto e o nosso empenho: com Quem venceu a morte, pode-se esperar contra toda esperança.

(Ideal e Luz, Editora Brasiliense e Cidade Nova – São Paulo, 2003 – pág. 219-221)

Espero que tenha entendido a verdadeira ligação da fé com a nossa vida cotidiana!

5 coisas para fazer por sua carreira antes que o ano acabe

E, finalmente, novembro chegou ao fim. Daqui até a contagem regressiva para a meia noite do dia 31 de dezembro, aposte, vai ser um pulo. Mas o espaço diminuto de tempo não pode ser justificativa para deixar as resoluções de carreira pra depois (do ano novo, do carnaval, do próximo ano novo).

“Não é preciso esperar o ano que vem. O novo pode acontecer na hora que você definir”, diz a consultora organizacional Meiry Kamia. Confira quais são as atividades indispensáveis para fazer antes que o ano dê sua badalada final:

1 – Tome as rédeas do tempo – “Quando o tempo é curto, é preciso focar nos urgentes”, afirma Meiry. Por isso, administração do tempo deve ser palavra de ordem neste período. Dica de ouro nesta contagem regressiva para o fim do ano: liste quais são as atividades prioritárias e corra atrás delas.

2 – Dê um gás – Passadas as festas de fim de ano, começa a maratona das avaliações de desempenho para muitas empresas. Por isso, a dica é focar ao máximo nos resultados neste período, de acordo com Renan Demarchi Sinachi, da Leme Consultoria. “As pessoas têm memória curta. Esta é a hora de caprichar na execução do seu trabalho”, afirma.

3 – Converse com seu chefe – Aproveite este período também para conversar com seu chefe sobre os planos da empresa para o próximo ano – e, como consequência, para a sua carreira.

4 – Questione-se – Coloque sua atuação em 2012 na berlinda. O primeiro passo para isso, segundo Mariella Gallo, é mapear quais os projetos você esteve envolvido, quais resultados você entregou, quais competências adquiriu e em que pontos ainda precisa melhorar. Com base nisso, “o profissional pode investigar qual o tipo de habilidade será exigida dele no próximo ano”, afirma a especialista.

5 – Fique um passo à frente no seu plano de desenvolvimento – Para além da lista de desejos que teima em rodear nossa cabeça nesta época do ano, elabore um plano de ação para o desenvolvimento da sua carreira e procure estar um passo a frente das demandas.

“As pessoas fazem muita coisa para responder às demandas e nunca antecipam as tendências”, afirma Sinachi. “A escolha é sua: você pode se posicionar junto à manada ou atuar no desvio padrão”.

Em outros termos: seja proativo na hora de planejar sua carreira para 2013. Não foque apenas naquilo que a empresa precisa, mas, principalmente, nos objetivos que você quer para a sua vida profissional. “É essencial programar a nossa vida pensando no curto, médio e longo prazo”, diz Meiry.

Mas, na mesma medida, segundo o especialista da Leme Consultoria, é essencial ter planos do tamanho do seu bolso – ou do tamanho que ele pode chegar. Por isso, fazer um planejamento financeiro para 2013 também deve estar nas prioridades da sua carreira nestes últimos suspiros de 2012.

Fonte: Exame.com

Derretimento do gelo do Ártico pode liberar toneladas de CO2 na atmosfera, alerta ONU

O derretimento dos subsolos árticos congelados, o chamado permafrost, ameaça elevar consideravelmente o aquecimento global e deve ser levado em conta nos modelos climáticos, recomendou nesta terça-feira (27) o Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) durante a COP 18, a cúpula do Clima em Doha, no Catar.

Devido ao rápido aumento das temperaturas nas regiões árticas, o permafrost já está derretendo, enfatizou Kevin Schaefer, pesquisador da Universidade do Colorado e principal autor de um relatório sobre o tema para o Pnuma.

“O permafrost é uma das chaves do futuro de nosso planeta. Seu impacto potencial no clima, nos ecossistemas e nas infraestruturas foi descuidado durante muito tempo”, declarou Achim Steiner, diretor-geral do Pnuma, em comunicado.

Essa área representa, mais ou menos, um quarto da superfície da Terra no hemisfério Norte. Em nível mundial, encerra 1,7 trilhão de toneladas de carbono, mais ou menos o dobro de CO2 presente na atmosfera, recordou Schaefer.

Se esta matéria orgânica congelada se derreter, libertará lentamente todo o carbono que acumulou e “neutralizou” com a passagem do séculos. “Uma vez que começa a derreter, o processo é irreversível. Não há nenhuma forma para voltar a capturar o carbono liberado. E este processo continua durante séculos, já que a matéria orgânica é muito fria e se decompõe lentamente”, advertiu o cientista.

Toneladas de CO2 – O problema é que este excesso de CO2 liberado na atmosfera jamais foi incluído nas projeções sobre o aquecimento climático que são objeto de negociações mundiais. E é ainda mais preocupante se for considerado que a temperatura das zonas árticas e alpinas deveriam aumentar duas vezes mais rápido que no conjunto do globo, insiste o relatório do Pnuma.

Uma alta de 3 graus Celsius em média se traduziria em um aumento de 6 graus Celsius no Ártico, o que provocaria o desaparecimento de 30% a 85% do permafrost próximo da superfície.

O derretimento do permafrost produziria o equivalente entre 43 bilhões de toneladas e 135 bilhões de toneladas de CO2 adicional para 2020, o que representa 39% das emissões totais até a data de hoje.

Em consequência, o Pnuma recomenda ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) que leve em conta especificamente o impacto crescente do permafrost no aquecimento global.

Mais de 190 países se reuniram na segunda-feira, em Doha, na grande conferência anual sobre a mudança climática que deverá decidir o futuro do Protocolo de Kyoto e esboçar as bases de um grande acordo previsto para 2015, no qual devem participar todos os grandes países poluidores do planeta. A conferência prossegue até 7 de dezembro.

Em 4 de dezembro, os negociadores contarão com a participação de mais de 100 ministros de Meio Ambiente para concluir o tratado climático, em uma nova etapa do trabalhoso processo de negociações lançado em 1995. (Fonte: UOL)

Um Pouco de Ser Professor

Comumente, encontramos nas pesquisas um decréscimo no interesse pela profissão docente, em qualquer nível em que esta educação se dê. Tudo por baixo salários pagos aos docentes, o que não deixa de ser verdade. Muitos professores não tem nenhuma sobra salarial para comprar um livro que seja de sua área, em parte pelo pouco que lhe resta para isto e em parte pelos altos preços de livros cobrados no Brasil.

De outra parte, existe uma gama imensa de pessoas que se identificam com a docência e a veem como parte fundamental de suas vidas, que vai mesmo além dos baixos salários. Por que isto acontece? Acredito que seja pelo vírus educacional que toma conta da pessoa, pelo seu interesse em ajudar outras pessoas a encontrarem a ciência, a verdade, a construírem juntos, um futuro melhor.

Também temos uma consequência disto: são as pequenas retribuições diárias que recebemos de nossos alunos quando tentamos fazer a coisa certa. Começa com uma maçã nos oferecida pelo aluno do ensino fundamental e vai a pequenas outras ações até a universidade. Quem não tem como modelo, de uma forma ou de outra, um professor que fez a diferença em sua vida? A minha, foi na segunda série do então primário e o nome dela é Neuza, hoje aposentada. Nunca esqueci Professora Neuza! Devo a ela ter aprendido realmente a ler! E mais tarde, outros professores, que com seus dons extraordinários dons para exerceram a profissão nos conquistaram. Na universidade, quando eu estava pronto para mudar a faculdade que fazia para outra que eu considerava mais interessante e do meu interesse, um professor de literatura, Gilson, me fez encantar pela mundo da fantasia, da capacidade criadora dos grandes autores de literatura mundiais.

Anos mais tarde, me tornei também um professor. Hoje, eu não procuro ser um professor show. Procuro ser apenas um professor que estabelece uma regra bem simples entre nós, da classe: eu os respeito e eles me respeitam, eu sou professor e eles são os alunos. Parece antipático isto! Mas complemento que nesse processo de ensino aprendizagem, devemos, sobretudo, sermos amigos! Que tem sim uma hierarquia, mas ela não impedir que sejamos amigos. Claro, não esqueceremos a regrazinha estabelecida no primeiro dia de aula de respeito mútuo. A partir dai, não me incomoda que façamos uma festa na sala de aula, que saiamos do ambiente de sala e passeemos por qualquer lugar, dentro e fora da universidade, conquanto haja um motivo de aprendizagem para o nosso conteúdo.

A única exceção nesse processo é que eu não posso permitir exageros, nem por minha parte e nem por parte dos alunos, para que não percamos aquela regra de respeito mútuo. Se há uma aula de campo, nada de bebidas alcoólicas, por exemplo, até o momento em que finalmente a aula seja considerada finalizada.

Muitas vezes eu preparo uma simples aula, sem os recursos didáticos tecnológicos que dispomos em nossa sala de aula, como internet, Datashow ou qualquer outra forma que não seja simplesmente estabelecermos um círculo e discutimos o assunto em pauta da aula, onde eu sempre começo expondo o conteúdo e explicando-o. Qual não é a minha surpresa quando, ao final, todos aplaudem! E eu, caladamente, me pergunto, o que fiz para ser aplaudido? Repensando, vejo que é a retribuição do carinho que nos dispomos a termos uns pelos outros e que o conteúdo foi atendido e, sobretudo, apreendido. E tudo que fiz foi um círculo e explicar e pedir colaborações, intervenções dos amigos alunos.

Claro que sempre deixo claro que nós, professores, mesmo na academia, não somos donos dos conhecimentos que estamos ministrando, pois a velocidade das transformações sociais, econômicas, culturais, ambientais e educacionais são muito rápidas. Assim, devemos construir juntos todo o conhecimento.

Mas tarde, percebo o valor de ser professor: não é somente o salário, seja ele qual for! São as retribuições que recebemos dos nossos alunos, das imagens que fazem de nós modelos.

Esta semana, recebi uma lembrancinha de uma aluna que viajou a uma outra cidade e me presenteou… não importa o valor do presente. Importa que ela lembrou de mim. Por que?! Porque de algum modo eu estou presente em sua vida, durante a semana, nas aulas e isto se estende pela vida. Minha e dela. Outra, que trabalha em determinado ramo, me ajudou a colocar uma pessoa no mercado que precisava de um trabalho e, embora não fosse para mim este trabalho, como não agradecer todo o carinho e a atenção que ela dispensou para mim, o seu esforço em me ajudar? Outro aluno, sabendo que eu uso lentes de contato, me presenteou com um kit de limpeza e umidificador de lentes, lembrando-me que trabalho em ambientes com ar condicionado e eu preciso usar. Ela sabe que eu não precisaria disso porque , graças à Deus, tenho condições de comprar estes produtos. Mas ela quis me ajudar e a forma que encontrou foi me presentear!

Outro aluno me chegou e disse que estava tentando mudar o seu comportamento, seguindo um conselho que eu havia dado em sala de aula: um conselho profissional e da forma como devemos agir como profissionais.

Tudo isto vai muito além do meu salário! São agradecimentos que eu recebo e sei que eles não esperam me comprar para a obtenção de alguma nota, coisa que poderia acontecer. Mas nos olhares, você percebe o quanto estas pessoas estão empenhadas em agradecer algo que recebeu de você, como professor! É quase como uma forma de dizer: “obrigado, professor, você, de alguma forma, é importante para mim!”.

Como tenho uma fé religiosa, mesmo quando ela contrasta com a ciência, eu sempre rezo à Deus por cada um. Por cada necessidade de meus alunos. Peço à Deus que eles sejam os melhores no mercado competitivo que terão que enfrentar. Amo os meus alunos e esta é a forma que eu tenho de agradecer-lhes!

15 Características de Grandes Personalidades

Tenho verificado, lendo e assistindo sobre a vida de grandes personalidades, como Chiara Lubich, Gandhi, Madre Teresa de Calcutá, Jane Goodall e Peter Drucker, dentre outros também na esfera empresarial, várias características que lhes são comuns. Aqui são algumas delas que, talvez, possamos aprender com eles:

1) SONHAR: Todos tem um sonho, que transformam em objetivos e metas a serem atingidos, sejam eles religiosos, ambientais, culturais, sociais ou econômicos. Todos, sem exceção, possuem uma determinação em atingi-los e movem mundos e fundos para isto.

2) DETERMINAÇÃO: todos são bastante determinados! Nunca desistem de seus sonhos, de suas metas, de seus objetivos.

3) LER E ESCREVER: sem exceção, todos eles são leitores ávidos e, por isto mesmo, excelentes escritores. Eles não deixam nunca de divulgar os seus pensamentos e são bastantes eficazes nessa tarefa. Tem uma expressão em inglês que traduz bem esta realidade: spread the word. Espalhe a palavra. É quase como se fosse uma evangelização dos seus pensamentos e ideias.

4) MARCAR A HISTÓRIA: todos tem um sentimento de deixar para a humanidade uma sua contribuição e fazem viagens ao redor do mundo para espalhar a sua palavra, as suas ideias. Chiara Lubich, lembro-me bem, sempre nos questionava o que queríamos quando morrêssemos: umas flores e poucas lágrimas, para depois sermos esquecidos ou fazermos história, sendo como os santos.

5) METICULOSIDADE: são cuidadosos naquilo que fazem, que querem e não permitem nenhuma distração. São perfeccionistas, às vezes ao extremo. E é exatamente isto que os tornam o que são. As vezes se tornam chatos por quererem tanta perfeição, mas o que eles buscam é o melhor e, geralmente, estão sempre certos.

6) ESTUDAR: todos são profundamente conhecedores em suas atividades, em suas áreas de conhecimento. Estudam com afinco àqueles que já existiram e escreveram sobre aquele assunto.

7) CRIATIVIDADE: algumas vezes, eles utilizam de maneiras criativas instrumentos que possam lhes auxiliar no cumprimento de suas tarefas, de modo que possa permitir chegar a todos as suas mensagens.

8) FOCO: todos tem um método de trabalho, uma rotina que seguem e são também perfeccionistas nesta tarefa, são efetivamente metódicos. Assim, alguns acordam cedo, agendam o seu dia, a sua semana, etc. Enfim, planejam as suas vidas e se guiam, sem deixar se perderem com distrações.

9) : todos creem em algo! Não importa quais as suas religiões ou a falta delas, mas todos acreditam em algo. Alguns, até mesmo são bastante eficientes quando dizem que não acreditam ou que são ateus, como Stephen Hawking. A fé e a esperança lhes movem os caminhos, em suas várias maneiras e performances. Jane Goodall diz que não sabe o que é Deus, mas que sente uma presença bastante profunda de algo quando está na natureza, quando está entre os animais. Para ela, há algo inexplicável e que sente paz e tranquilidade.

10) INCANSABILIDADE: todos são incansáveis. São máquinas trabalhando para a realização dos seus sonhos e objetivos. Eles jamais param, jamais descansam, jamais tiram férias, jamais deixam de pensar!

11) VISÃO DE FUTURO: quando vemos estas pessoas, estudando-as, assistindo-as, percebe-se claramente a sua visão de futuro. O seu pensamento, geralmente, vai além dos demais. Eles estão sempre um passo à frente. São profundos conhecedores de história e, talvez por isto mesmo, sabe que a história é cíclica e que eventos sempre se repetem, de formas variadas, mas sempre se repetem e utilizam este conhecimento para aprender e evitar erros no futuro.

12) PAIXÃO: Morrem pelo que sonham, pelo que almejam e se doam ao extremo. São loucos apaixonados pelo que fazem. Santa Tereza D’Ávila dizia: “Que outros gozem duma glória maior — isto não me faz sofrer; mas que alguém ame a Deus mais do que eu — eis o que me preocupa”.

13) PENSAM NOS OUTROS: Eles sabem que todo o seu trabalho não se realizará jamais sem a presença das pessoas, dos outros. Por isto cuidam de que àqueles que se encontram ao seu redor entendam as suas ideias, compreendam-nas e as coloquem em prática. Preocupam-se com o futuro da humanidade, são altruístas. E estão sempre prontas a servir…

14) PRESENTE: São pessoas que se concentram no presente, seu foco é o aqui e o agora, mesmo que suas preocupações, suas ideias, seus sonhos sejam para o futuro, mas estão sempre concentradas no presente, do aqui e agora. Eles sabem que as ações que realizamos no momento presente é que delineiam o futuro.

15) COMUNICAÇÃO: Sem o poder da palavra, da persuasão, parece que nada acontece. Eles dominam a comunicação, sabem como e quando falarem, exporem suas ideias e seus sonhos, sabem como falarem para quem falam. São bastante comunicativos sem caírem no ridículo.

Como tornar-se aberto à vida

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Bem é verdade que o meu blog é um pouco sobre tudo, mesmo que eu tenha a tentação a alguns temas importantes para mim, como tecnologia e questões ambientais. No entanto, nos últimos tempos, por uma necessidade de mudança de hábitos, tenho aprendido (ou melhor dizendo, estou aprendendo) a faze-lo da melhor forma possível, especialmente com algumas leituras específicas da área de produtividade. Tenho um sujeito que eu acompanho sempre (o site está em inglês) e sua leitura vale a pena ser seguida e acompanhada. O blog de Zen Habits, de Leo Babauta é um deles que vejo regularmente. Seja porque trata da questão da qualidade de vida, seja pela questão da mudança de hábitos que tanto preciso.

Aqui vai um artigo que  eu traduzi livremente (embora sem a devida autorização do autor, embora a forte esteja citada!) que acho importante. Muito mais ainda nestes dias turbulentos que passamos, onde, como eu sempre gosto de repetir aos meus alunos de graduação e pós graduação, “que hoje, tudo que é sólido se desmancha no ar”, de Karl Marx.

Sigam o texto e me perdoem o meu inglês.

Mantenha as mãos abertas, e todas as areias do deserto pode passar por eles. Fechá-los, e tudo que você pode sentir um pouco de areia. ‘ ~ Taisen Deshimaru

 

Post escrito por Leo Babauta.

 

De muitas maneiras, eu me fecho fora da vida em toda a sua plenitude. Eu me fecho para os outros, como uma forma de auto-defesa.

Isso acontece com todos nós. Quando você se deixou aberto no início de sua vida, você provavelmente se machucou de vez em quando. E assim, a dor nos ensina a nos fecharmos em maneiras diferentes: não deixar que os outros entrem em nossas vidas, usar o humor para manter uma certa distância, machucar os outros antes que eles te machuquem, distanciar-se de qualquer coisa nova, e assim por diante.

Eu me fecho para fora, e perco o que acontece com o mundo. Eu perco a vida quando eu faço isso.

E assim eu estou aprendendo a me tornar mais aberto. É um processo lento, mas de muitas pequenas maneiras que eu aprendi muito, e sou muito mais aberto agora do que jamais estive.

O que significa ser livre? Isso significa que se eu aceitar mais a vida sem julgamento, e sou mais feliz, não importa o que vem. Isso significa que eu julgue os outros menos, critique menos, aceite os outros mais, e aprendo mais sobre sua particularidade maravilhosa.

Isso significa mais do que nunca que estou plenamente experimentando a vida.

Eu vou compartilhar um pouco sobre como se tornar aberto à vida, e para os outros, na esperança de que você vai achar isto também útil para a sua vida.

1. Julgar menos, aceitar mais . Parece natural julgar os outros, mas ao faze-lo, fechamos a nós mesmos para a verdade sobre essas pessoas. O mesmo é verdadeiro quando julgar todas as coisas ao nosso redor – nós nos fechamos para descobrir mais. Se o julgamento é automático, devemos sair do piloto automático e ser mais conscientes. Quando percebemos a nós mesmos julgando, em vez disso, pausemos, procuremos entender, e depois aceitarmos. E, então a amar, e para aliviar o sofrimento. Devemos deixar as nossas expectativas de todos ao nosso redor, e do mundo em torno de nós, e aceitar as pessoas como elas são, e vê-las como elas realmente são. Não aceitar significa que nunca mudaremos as coisas? Não, significa que não fiquemos chateados, irritados, frustrados quando as coisas não são como gostaríamos que fossem, mas procuremos aliviar o sofrimento.

2. Deixe de metas . Muitos de vocês sabem que eu tenho experimentado atingir alguns objetivos , mas nem todo mundo entende o porquê. Um dos maiores motivos é que, quando vamos definir um objetivo, devemos limitar o leque de possibilidades, porque estamos definindo um destino fixo (o objetivo). Por exemplo, se você diz: "Eu quero correr uma maratona em seis meses", então você vai focar suas ações nas coisas que se leva para chegar a esse destino (treinamento de maratona). Mas e se alguém lhe pede para ir surfar quando você deveria fazer o treinamento de maratona? Ou uma nova corrida se abre e que você não sabia que ia estar lá quando você definiu o seu objetivo maratona – e é ainda melhor? Se você permanecer fixado em seu objetivo, então você vai esquecer do surf, ou a nova corrida. Este é apenas um exemplo – torna-se muito mais sutil (e menos claro) quando os objetivos são metas de trabalho, porque as possibilidades são muito mais amplas e abrangentes. Eu não estou dizendo que você nunca deva definir metas (embora isso seja uma possibilidade), mas você deve desenvolver a flexibilidade para deixá-las ir, dependendo das circunstâncias da cada dia, cada momento. [uma observação minha: creio que o autor queira estar dizendo: viva o momento presente, mesmo que você tenha objetivos a serem cumpridos!]

3. Reconhecer os mecanismos de defesa . Os mecanismos de defesa que construímos ao longo dos anos em resposta a experiências dolorosas são muitas e variadas. Mais importante, nós não percebemos que eles estão lá a maior parte do tempo, então eles são automáticos e, portanto, poderosos e difíceis de bater. Assim, devemos aprender a reconhece-los. Quando você se encontra não fazendo certas coisas, pergunte-se o por quê. Talvez seja porque você teve uma experiência ruim no passado. Quando você se encontra ferindo as pessoas, pergunte o porquê. Quando você se encontra fechando pessoas ou experiências, pergunte o porquê.

4. Seja como o céu . Suzuki Roshi tinha uma grande metáfora … o céu tem substância (gases, poeira, água), mas é aberto a aceitar tudo. Este "céu vazio" permite outras coisas, como as plantas, para crescer dentro dele. Nossa mente deve ser como o céu – aceitar as coisas como elas são, não discriminar. Ao dizer, "isso é bonito, isso não é bonito", rejeitamos algumas coisas. Em vez disso, podemos estarmos vazios. Nós podemos tratar tudo [e todos] como se fossem parte da nossa grande família. Nós podemos tratar tudo como se fossem nossas mãos e pés.

5. Veja os seus medos . Medos são a base para os nossos mecanismos de defesa automática, e da mesma forma, eles tem poder quando não sabemos que eles estão trabalhando, quando eles se escondem nas costas de nossas mentes no escuro. Medos fecha-nos para os outros, para o mundo, para as experiências. Veja os seus medos, aprendendo a ficar em silêncio, ouvindo-se a si mesmo na tranquilidade. Preste atenção aos medos, faça brilhar uma luz sobre eles, e eles começarão a perder seu poder. Então você vai ser liberado para estar aberto a coisas novas, à qualquer coisa.

6. Deixe de controlar . Voltamos-nos constantemente para o controle – dos outros, de nós mesmos, do mundo em torno de nós. Objetivos, planejamento, medição de nosso trabalho, as expectativas e muito mais – que tentamos controlar as coisas de muitas maneiras. Claro, sabemos que o controle é uma ilusão . É também uma maneira de fechar a maior parte do mundo: se nós podemos controlar o mundo, e para o futuro, estamos fixando o curso dos acontecimentos… e afastando outros possíveis cursos. O que acontece se deixarmos de ir contra esse controle? As possibilidades se abrem.

7. Abra as mãos . Andar com o mundo, com as mãos abertas. É uma prática simples. Suas mãos estão abertas, e elas estão vazias, prontas para receber o mundo e tudo o que vem, como ele é. Suas mãos não estão fechadas,

Caminhar ao longo da borda de uma espada,
corrente ao longo de uma crista de gelo,
Sem passos, nem escadas,
Saltando de um penhasco com as mãos abertas.
~ verso Zen

As cidades e a biodiversidade

Fazer com que as cidades usem, de forma sustentável, a diversidade biológica local é a primeira das 20 Metas de Aichi, e um dos temas que integram a listas dos compromissos assumidos pelos 193 países componentes da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB). Nesse sentido, o Brasil já está desenvolvendo um projeto-piloto em Curitiba, experiência apresentada pela professora Tatiana Gadda, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, em reunião ocorrida na Secretaria de Biodiversidade e Florestas (SBF) do Ministério do Meio Ambiente na tarde desta segunda-feira (20), para debater o tema Cidades e biodiversidade.

“Trata-se de iniciativa do Instituto de Estudos Avançados da Universidade das Nações Unidas (UNU), em desenvolvimento em outros países com o objetivo de alcançarmos as Metas de Aichi”, explica Tatiana Gadda. As metas foram extraídas da 10ª Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-10), realizada em Nagóia, Japão, em 2010.

Orientação – Para a professora, a experiência de Curitiba, iniciada em março deste ano, permitirá a formulação de um guia para nortear estados e municípios brasileiros a desenvolverem ações que privilegiem a conservação da biodiversidade local. “O principal aprendizado é que a biodiversidade ultrapassa as fronteiras dos municípios e as políticas locais precisam ser coerentes com esse fato”, sugere.

Como representante da UNU na reunião sobre Cidades e biodiversidade, o pesquisador sênior adjunto da instituição, Tony Gross, disse que, apesar de quase todos os 193 países da CDB se preocuparem com sustentabilidade e biodiversidade, os investimentos realizados nos últimos dez anos não conseguiram reverter as taxas de perdas da diversidade biológica, embora haja consenso de que essas perdas resultam em sérias consequências para todos os países. “Biodiversidade é a base da provisão de vários recursos ecossistêmicos, como água, clima, polinização, segurança alimentar, entre outros pontos”, enfatizou.

Em se tratando de desenvolvimento sustentável, as cidades representam papel essencial. “As cidades consomem, de forma predatória e negativa, a biodiversidade em geral, como o consumo descuidado da água, as emissões de gases poluentes e qualidade de vida ligada à mobilidade, já que o mundo não é mais rural, inclusive o Brasil”, esclareceu a analista ambiental da SBF Lúcia Lopes. O ponto positivo, segundo ela, é que as cidades podem melhorar esse panorama, não só do ponto de vida da biodiversidade em geral, como no que se refere ao consumo de água e na criação de parques, facilitando a manutenção da diversidade biológica da região.

Experiência – O assunto debatido na reunião envolveu, também, representantes da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano (SRHU); da Assessoria Internacional do MMA; do Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa); do banco alemão para desenvolvimento sustentável (GIZ); do Departamento de Geografia e Ecologia da Universidade de Brasília (UnB); e Da ONG Iclei, sigla em inglês para Governos Locais pela Sustentabilidade.

O evento já rendeu os primeiros frutos, segundo Lúcia Lopes, que recebeu correspondência enviada, na manhã desta terça-feira, pelo coordenador do Programa de Biodiversidade e Cidades da Convenção sobre Biodiversidade (CDB) da Organização das Nações Unidas (ONU), Oliver Hillel, considerando a iniciativa da extremamente positiva. Hillel acredita que a experiência brasileira poderá estimular outros países a se organizarem para, igualmente, tornar suas cidades sustentáveis. (Fonte: Luciene de Assis/MMA)

Mais chuvas intensas em São Paulo e seca nos EUA corroboram conclusões do IPCC

Apesar de necessitar de mais estudos para reiterar evidências e esclarecer algumas incertezas sobre os níveis de confiança de algumas previsões, as conclusões do Relatório Especial sobre Gestão dos Riscos de Eventos Climáticos e Desastres (SREX, na sigla em inglês) – elaborado e recentemente divulgado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) – podem ser corroboradas pela maior ocorrência de eventos climáticos extremos em diferentes regiões do mundo, como a atual seca nos Estados Unidos, e pelo aumento de gastos realizados nos últimos anos por países como o Brasil para sanar os prejuízos causados por enchentes e deslizamentos provocados por chuvas intensas.

A avaliação foi feita por pesquisadores participantes do workshop “Gestão dos riscos dos extremos climáticos e desastres na América do Sul – O que podemos aprender com o Relatório Especial do IPCC sobre os extremos?”, realizado nos dias 16 e 17 de agosto, em São Paulo.

Realizado pela FAPESP e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em parceria com o IPCC, o Overseas Development Institute (ODI) e a Climate and Development Knowledge Development (CKDN), ambos do Reino Unido, e apoio da Agência de Clima e Poluição e do Ministério de Relações Exteriores da Noruega, o objetivo do evento foi debater as conclusões do SREX e as opções para o gerenciamento dos impactos dos extremos climáticos, especialmente nas Américas do Sul e Central.

Uma das principais conclusões do relatório, elaborado pelo IPCC a pedido do governo da Noruega e da Estratégia Internacional para a Redução de Desastres (EIRD), da Organização das Nações Unidas (ONU), é o aumento na frequência de eventos climáticos extremos no mundo nas últimas décadas em função das mudanças climáticas.

Consequentemente, também aumentaram os impactos socioeconômicos desses fenômenos nos últimos anos devido a maior vulnerabilidade e exposição da população humana a eles, em função de fatores como o aumento desordenado da urbanização em regiões como a América do Sul.

Entretanto, de acordo com os pesquisadores, há incertezas a respeito de se alguns fenômenos climáticos extremos tendem a ocorrer em escala global, devido à escassez de dados.

O relatório indica, por exemplo, que é muito provável um aumento na frequência de dias e noites quentes nos próximos anos em diferentes regiões do planeta, tendência já detectada em observações meteorológicas realizadas em grande parte das regiões Sul e Sudeste do Brasil e no sudeste da América do Sul.

Por outro lado, o documento aponta dúvidas em relação ao aumento da frequência de chuvas intensas em todo o mundo, indicando regiões que apresentam aumento e outras onde ocorreu redução do evento climático – o que impossibilita generalizar a conclusão de que o fenômeno deve acontecer mais frequentemente em todo o planeta.

Contudo, as chuvas torrenciais em São Paulo com maior frequência nas últimas décadas indicam que têm ocorrido mais fortes precipitações de chuvas, pelo menos em escala regional.

“Se ainda há incertezas sobre a tendência de aumento da frequência de chuva em escala global, no caso de São Paulo não restam dúvidas de que as chuvas intensas têm aumentado muito na cidade nos últimos 50 ou 70 anos”, disse Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG) e do IPCC e um dos autores do SREX.

“Hoje temos três vezes mais chuvas intensas, que causam enchentes e desastres em São Paulo, do que há 70 anos. E as evidências de que esse tipo de evento climático extremo ocorre com maior frequência na capital paulista estão muito bem documentadas”, afirmou Nobre.

Em função de existir evidências mais concretas e consistentes do aumento na frequência de chuvas intensas em São Paulo nas últimas décadas, de acordo com Nobre, a cidade poderia servir como um laboratório excelente para a realização de estudos que relacionem os impactos socioeconômicos causados pelo aumento da frequência de eventos climáticos extremos com o nível de exposição e vulnerabilidade das populações a eles, de modo a reiterar as conclusões do IPCC.

“Seria muito interessante realizar pesquisas para quantificar as enormes mudanças climáticas em São Paulo causadas pelo impacto da urbanização e do efeito de ilha urbana de calor na cidade”, avaliou Nobre.

Impactos socioeconômicos – Nobre deu alguns exemplos de estudos publicados recentemente por pesquisadores do Estado de São Paulo que relacionam o aumento nos riscos à população causados pela maior frequência de chuvas intensas.

Um dos estudos apontou um aumento do número de áreas suscetíveis a alagamentos e que apresentam risco mais elevado de deslizamentos de terra na capital paulista. Outro estudo demonstrou que, com a urbanização, as áreas de chuva intensa se expandem e aumenta o risco de contaminação por leptospirose – doença transmitida pela urina do rato.

Já uma pesquisa feita no Departamento de Ecologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro, em parceria com o Inpe, identificou que Campinas e Ribeirão Preto são as duas regiões no Estado de São Paulo que apresentam maior vulnerabilidade às mudanças climáticas nas próximas décadas.

A grande concentração populacional em Campinas potencializa as consequências de uma enchente. Já no caso de Ribeirão Preto, além de ser populosa, a região deverá registrar temperaturas mais altas nas próximas décadas.

“Podemos discernir em algumas regiões os impactos socioeconômicos causados pela aceleração dos eventos climáticos extremos, que estão associados a maior vulnerabilidade das populações em função da crescente urbanização do mundo e, em particular, das cidades da América Latina, onde esse processo ocorreu nas últimas décadas de forma caótica”, avaliou Nobre.

Segundo ele, no Brasil, por exemplo, os recursos para reconstrução de regiões assoladas por desastres causados por eventos climáticos extremos tiveram uma evolução muito rápida nos últimos dez anos e ultrapassaram o patamar de R$ 1,6 bilhão em 2011. “O impacto econômico dos desastres causados por eventos climáticos extremos já é sensível no país”, afirmou.

Alguns dos exemplos dados pelos pesquisadores para ilustrar o aumento da frequência de eventos climáticos extremos no Brasil nos últimos anos são a baixa umidade do ar registrada atualmente no Centro-Oeste do país e no sudeste de São Paulo, além das constantes enchentes no verão em São Paulo, Rio de Janeiro e em outras regiões do oeste do Brasil, e das secas no oeste da Amazônia.

Já no exterior, a seca que atinge os Estados Unidos atualmente é apontada pelos pesquisadores como um exemplo bastante consistente de evento climático extremo de ocorrência e dimensões raras, que corrobora as conclusões do SREX.

“É um evento climático que talvez ocorre somente a cada cem anos e que provoca um enorme impacto econômico e social, na medida em que perturba todo o sistema de preço de commodities agrícolas e afeta, inclusive, a segurança alimentar do país”, avaliou Nobre.

De acordo com Nobre, a seca nos Estados Unidos não foi documentada no SREX, mas deve ser incluída no próximo relatório do IPCC, previsto para ser publicado em 2013, que deve esclarecer algumas das incertezas sobre o nível de confiança de algumas previsões apontadas no documento atual.

“Muitas das informações publicadas no SREX serão atualizadas no quinto relatório do IPCC, por meio do qual esperamos ter uma melhor compreensão dos eventos climáticos extremos”, disse José Marengo, pesquisador do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Inpe, membro do IPCC e um dos autores do SREX. (Fonte: Elton Alisson/ Agência Fapesp)